Renault Geely anuncia mais R$ 2 bilhões e eleva investimentos no Brasil para R$ 5,8 bilhões

Foto com François Provost, presidente Lula e Ariel Montenegro
Investimentos no Brasil: François Provost, CEO do Renault Group, presidente Lula e Ariel Montenegro, Presidente e CEO da Renault Geely do Brasil

O Brasil segue vivendo um novo ciclo de investimentos da indústria automobilística — e o anúncio da Renault Geely do Brasil de mais R$ 2 bilhões é um dos exemplos mais recentes.

Em uma agenda institucional em Brasília, executivos do Renault Group, Geely Holding Group, Geely Auto e Renault Geely do Brasil foram recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e pelo ministro Márcio Elias Rosa.

O encontro serviu para confirmar uma nova rodada de investimentos que eleva para R$ 5,8 bilhões o total previsto pela parceria Renault-Geely no Brasil entre 2025 e 2027. O novo aporte será utilizado principalmente para ampliar a produção de veículos eletrificados no país.

E existe um detalhe que merece atenção: a Renault Geely não quer apenas vender carros importados. Está investindo para produzir veículos e tecnologias no Brasil.

Foto do primeiro Geely EX5 EM-i feito no Brasil

Setor automotivo: Investimentos no Brasil passam de R$ 140 bi

Diferente do que vimos de 2019 a 2022, o movimento da Renault Geely acontece dentro de um cenário mais amplo de retomada dos investimentos da indústria automobilística brasileira.

Levantamento divulgado pelo Governo Federal aponta que os investimentos anunciados pela indústria automotiva chegaram a aproximadamente R$ 140 bilhões, considerando projetos com diferentes horizontes de execução. Entre as empresas estão Stellantis, Volkswagen, Toyota, GWM, General Motors, BYD, Hyundai, Renault, Honda, Nissan e outras.

MOVER: descarbonização, competitividade e inovação

O governo Lula criou o Programa MOVER (Mobilidade Verde e Inovação), que substituiu o Rota 2030 e estabeleceu uma política de longo prazo para o setor automotivo, com foco em descarbonização, pesquisa e desenvolvimento, inovação, competitividade e produção tecnológica no Brasil.

Para uma montadora decidir investir bilhões de reais em uma fábrica, não basta olhar o mercado de hoje. É preciso enxergar o que poderá acontecer nos próximos anos.

E é justamente nesse ponto que políticas industriais com regras e objetivos definidos podem oferecer maior previsibilidade para decisões de investimento de longo prazo.

Um estudo do BNDES, por exemplo, projeta R$ 119 bilhões em investimentos no setor automotivo entre 2025 e 2029, impulsionados, entre outros fatores, pela descarbonização, segurança veicular, híbridos flex e eletrificação.

Renault terá novo carro eletrificado no Brasil

Dentro do novo pacote da Renault Geely, está prevista a produção, a partir de 2027, de um novo veículo Renault eletrificado baseado na plataforma GEA (Global Intelligent Electric Architecture).

Além do Geely EX5 EM-i, também foi confirmada a produção nacional do EX2, hatch 100% elétrico, a partir de dezembro de 2026.

E tem mais: em 2027, o Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), também deverá iniciar a produção da tecnologia Renault Hybrid E-Tech 4×4 flex fuel. Boreal deverá ser o primeiro modelo a receber a novidade!

Ou seja: a mesma fábrica poderá produzir veículos com diferentes soluções de propulsão, passando pelos motores a combustão até chegar aos híbridos, híbridos flex e elétricos.

Isso representa uma mudança importante na indústria brasileira, que está precisando se adaptar rapidamente à eletrificação sem abandonar tecnologias como o motor flex, ainda extremamente relevante para o mercado nacional.

Complexo Ayrton Senna ganha importância

O Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), está se transformando em uma peça estratégica da parceria entre Renault e Geely. A unidade foi modernizada para receber novas tecnologias e ampliar sua capacidade de produção de veículos eletrificados.

A Renault Geely foi criada em 2025 como parte da parceria estratégica entre Renault Group e Geely para produção e comercialização de veículos de baixas e zero emissões no Brasil. Em novembro daquele ano, a Geely adquiriu 26,4% de participação na Renault do Brasil, enquanto o Renault Group permaneceu como acionista majoritário.

Homenagem ao maior piloto da história

Durante o encontro em Brasília, François Provost, CEO do Renault Group, Ariel Montenegro, presidente e CEO da Renault Geely do Brasil, Victor Yang, vice-presidente sênior do Geely Holding Group, e Tong Zhi Yuan, vice-presidente sênior da Geely Auto Group, apresentaram os avanços da parceria.

E houve espaço até para uma lembrança histórica.

Provost entregou a Lula uma miniatura de 35 centímetros da Lotus Renault 97T, carro que levou Ayrton Senna à sua primeira vitória na Fórmula 1, no GP de Portugal de 1985.

A escolha não foi por acaso.

Quando inaugurou sua fábrica em São José dos Pinhais, em dezembro de 1998, a Renault decidiu batizar o complexo paranaense de Complexo Industrial Ayrton Senna, em homenagem ao tricampeão brasileiro.

O que isso significa para quem compra carro?

Mais do que números bilionários, esses investimentos podem significar novos carros, novas tecnologias, empregos, fornecedores, desenvolvimento de engenharia e aumento da capacidade produtiva brasileira.

E a chegada da Renault Geely mostra uma tendência que promete transformar o mercado nos próximos anos: o Brasil está deixando de ser apenas consumidor da nova geração de carros eletrificados e passando também a ser parte da cadeia de desenvolvimento e produção dessas tecnologias.

Para quem acompanha o setor automotivo, há outro ponto interessante: a continuidade das políticas industriais e a previsibilidade regulatória podem influenciar diretamente decisões de investimento que levam anos para amadurecer.

Por isso, o debate eleitoral sobre a continuidade ou mudança das políticas econômicas e industriais é relevante para o setor automotivo, especialmente porque projetos como os anunciados agora ultrapassam vários anos e governos. A decisão sobre quem deve governar o país, porém, cabe ao eleitor, que pode considerar esses e outros fatores na sua avaliação.

No fim das contas, o que está acontecendo nas fábricas brasileiras é bastante concreto: bilhões de reais estão sendo direcionados para a próxima geração de automóveis. E a Renault Geely acaba de colocar mais R$ 2 bilhões nessa conta.

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