Seria o novo Nissan Gravite uma boa opção para o mercado brasileiro?

Foto do Nissan Gravite
Nissan Gravite

O Nissan Gravite inaugura uma nova fase da marca no mercado indiano, reforçando algo comum na maioria dos países: o compromisso em oferecer produtos focados nas necessidades locais. Fabricado em Chennai e com preços variando entre 565.000 e 893.500 rúpias (cerca de R$ 32.000 e R$ 51.000, na conversão direta), será que o novo monovolume que leva até sete pessoas seria uma boa para o Brasil?

Nome e irmão

Antes de responder, vamos entender a novidades. O nome Gravite faz referência à força e à diversidade dos 1,4 bilhão de indianos.

Na prática, ele é o Renault Triber que aproveitou muito bem os benefícios da Aliança Renault Nissan Mitsubishi. Seu preço é super competitivo porque o modelo mede apenas 3,99 m de comprimento. Na Índia, se o carro tem menos de 4 m, ele tem isenção de impostos.

Foto do Nissan Gravite de 7 lugares
Nissan Gravite pode levar até 7 pessoas

Onda boa

O modelo surfa na boa fase do Magnite, que é exportado da Índia para vários mercados, e integra uma ofensiva de produtos que inclui o futuro Tekton C-SUV (previsto ainda para 2026) e outro C-SUV de sete lugares, programado para 2027.

“A Índia é peça central para as ambições globais da Nissan. Nossas ações ao longo do último ano — fortalecendo as operações, expandindo a rede e iniciando uma ofensiva de produtos — demonstram nosso compromisso de longo prazo com este mercado. O novo Gravite não é apenas um lançamento de produto; ele marca o início de uma fase de crescimento sustentado para a Nissan na Índia. Com fabricação local em nosso Parceiro de Aliança em Chennai e um roteiro de produtos pronto para o futuro, estamos aqui para competir, crescer e liderar nos segmentos que importam”, disse Thierry Sabbagh, Vice-Presidente Divisional e Presidente para o Oriente Médio, Arábia Saudita, CEI e Índia.

Painel do Nissan Gravite
Painel do Nissan Gravite

Design e proposta

Como comentei, o Gravite basicamente é o Triber, mas adotando a linguagem global de design da Nissan. Por isso, sua dianteira é diferente, com mudanças mais chamativas na grade e nas laterais do para-choque.

A lateral é a parte mais parecida, apenas com as rodas diferentes, além de um detalhe no para-lama dianteiro. Atrás, a semelhança também é grande, tendo no para-choque a principal alteração.

Na prática, o carro é razoavelmente bonito.

Interior e versatilidade

A proposta aqui é clara: atender tanto o uso urbano quanto as viagens em família.

  • Configuração para até sete ocupantes
  • Terceira fileira removível
  • Porta-malas que pode chegar a 625 litros
  • Ar-condicionado para as três fileiras e bancos, porta-luvas e para um porta-objetos
  • Muitos porta-objetos

Ou seja, foco total em praticidade – algo que conversa diretamente com o público-alvo.

Foto dos airbags do Nissan Gravite
Airbags do tipo cortina do Gravite chegam até a terceira fileira de bancos

Tecnologia e segurança

Para o século 21, o Gravite tem até uma honesta de equipamentos, que pode ser composta pelo quadro de instrumentos digital de 7″, carregador de celular por indução e pela central multimídia de 8″ vinda da Renault, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, mas de funcionamento limitado.

É possível colocar uma central de 9″, que parece mais eficiente. No quesito segurança, destaco os seguintes de série:

  • Seis airbags
  • Controles eletrônicos de estabilidade (ESC) e tração (TCS)
  • Assistente de partida em rampa (HSA)
  • ABS com EBD e assistente de frenagem (BAS)

Interessante que o monovolume tem airbag de cortina até para os passageiros da terceira fileira de bancos, o que é ótimo!

Foto dos 7 bancos do Nissan Gravite
Com menos de 4m, Gravite tem até sete bancos

Motor

O conjunto mecânico é simples e potencialmente velho conhecido do brasileiro!

O motor 1.0 12V, de três cilindros, à gasolina, parece ser primo do propulsor do nosso Kwid, March, Sandero e outros carros da Aliança Renault Nissan Mitsubishi. No Gravite, ele tem 72 cv de potência e 9,8 mkgf de torque, sempre com gasolina.

Câmbio

O câmbio pode ser manual de cinco marchas ou automatizado (AMT) de cinco velocidades.

Por mais que eu não goste da transmissão automatizada, o carro tem um pacote voltado claramente para economia e uso urbano. Até porque o motor é grato para o conjunto do veículo, focando no custo-benefício, e não no desempenho.

Versão especial de lançamento

A Nissan trabalha com uma Launch Edition com acabamento diferenciado, sistema de áudio premium e detalhes exclusivos no interior.

Arte feita por IA do Nissan Gravite no Rio de Janeiro
Nissan Gravite seria uma boa no Brasil? Ele poderia ser fabricado em Resende (RJ)

Seria o novo Nissan Gravite uma boa para o mercado brasileiro?

Aqui começa a parte que mais acho interessante do post.

O mercado brasileiro gosta de SUV com visual robusto e espaço interno generoso. Um monovolume com cara de SUV, sete lugares e com preço muito competitivo poderia ter apelo, principalmente se viesse com foco em custo-benefício.

Mas alguns pontos precisariam ser alterados.

Gravite no Brasil

Antes de tudo, ele poderia ser nacional, produzido em Resende (RJ), ou até mesmo no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), onde o Kwid é fabricado.

1. Motor e câmbio

Ter motor 1.0 aspirado, de 72 cv, num carro de lugares? De jeito nenhum!

A Nissan provavelmente, por questões de custo, adotaria o conjunto do Kait, com propulsor 1.6 16V flex de 110/113 cv e 14,9/15,2 mkgf. Câmbio poderia ser manual de cinco marchas ou automático do tipo CVT.

Se ela quisesse ir além, a motorização 1.0 turbo do Kicks, com seus 120/125 cv (G/E) e 20,4/22,4 mkgf (G/E), seria a escolhida.

2. Preço decisivo

Se chegasse muito competitivo, abaixo de SUVs turbo compactos, poderia atrair famílias que querem sete lugares pagando menos. Ou seja, deveria custar na faixa entre R$ 100.000 e R$ 130.000, inclusive para atrair o público PCD – algo importante.

Ficar abaixo ou até na mesma faixa do Citröen Aircross de 7 lugares (R$ 128.490) seria uma boa.

Quadro de instrumentos do Nissan Gravite
Quadro de instrumentos do Gravite é interessante

3. Olho na concorrência

O franco carioca da Stellantis seria o principal rival. Mas a Nissan manteria um olho no Chevrolet Spin e outro, por que não, no Caoa Chery Tiggo 8.

Veredito

Se o Nissan Gravite viesse exatamente como é na Índia, com esse motor 1.0, dificilmente empolgaria por aqui.

Mas se recebesse o propulsor 1.6 ou 1.0 turbo e mantivesse preço bem agressivo, poderia ser uma alternativa interessante para quem quer espaço sem pagar preço de SUV médio – bons tempos do Honda Fit…

Trilho

Importante também seria ter o trilho nos bancos da segunda fileira, a de três pessoas (2 + 3 + 2), de série em todas as versões, para facilitar a distribuição do espaço interno num carro tão compacto.

  • Comprimento: 3,987 m
  • Largura: 1,734 m
  • Altura: 1,644 m
  • Entre-eixos: 2,636 m
  • Altura livre do solo: 18,2 cm
  • Tanque: 40 litros

Realidade

Fato é que o Gravite não está nos planos da Nissan, nem será lançado por aqui. Muito menos fabricado.

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