Anfavea prevê crescimento de 2,7% nas vendas de veículos leves e pesados em 2026

Foto da concessionária Carbel Japão durante o lançamento do novo Nissan Kicks 2026
Concessionária Carbel Japão Nissan no lançamento do novo Kicks. Vendas de veículos leves deve subir em 2026

Para a Anfavea, a previsão de avanço do mercado interno nas vendas de veículos leves e pesados em 2026 está praticamente alinhada com a da Fenabrave. Será outro ano morno com as vendas em ascensão de 2,7% sobre 2025 (total de 2,772 milhões de unidades).

Exportação e produção

Poderá haver revisões trimestrais das estimativas e alguns desafios. Um deles é o progresso ainda mais moderado das exportações: apenas 1,3%. A produção terá números também fracos: 3,7% de crescimento.

Cotas de importação

Um sinal positivo é o fim, agora em 31 de janeiro, das cotas de importações de veículos semidesmontados (SKD) isentos de imposto de importação.

Os produtores de autopeças brasileiros ficariam alijados com prejuízos para geração de empregos no País. Anfavea não citou agora qual empresa estaria tentando esticar os prazos para manter importação de carros praticamente prontos (SKD), sem nenhum imposto. Este é um processo produtivo aceitável apenas para baixos volumes e sondagem de mercado, segundo a entidade.

BYD

No entanto, é a BYD que defende a extensão deste privilégio inicial, embora tenha feito duas “inaugurações” da sua fábrica em Camaçari (BA). A empresa chinesa não precisa de mais estímulos do que já recebeu (e ainda recebe) com uma linha de produtos competitiva e de boa aceitação. A partir de maio ou junho próximos, promete iniciar a produção efetiva, embora sem prensas no local.

Em 2025, importou e estocou milhares de veículos com impostos vigentes muito menores, especialmente elétricos, algo que nenhuma outra marca tinha condições de acompanhar. Costuma-se chamar isso de dumping ou prática comercial predatória.

Novas perspectivas

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), assinado agora após 26 anos e com participação de vários governos brasileiros anteriores, poderá abrir novas perspectivas para a indústria automobilística.

Possibilitará planejar uma integração produtiva com as marcas europeias, que sempre tiveram forte presença industrial no Brasil. O processo, entretanto, será lento (15 anos), embora bem-vindo. Todavia, ainda enfrenta resistências na UE.

Imposto seletivo

Desafio ainda maior é o chamado imposto seletivo, criado pela recente reforma tributária, que irá atingir as vendas de automóveis. A carga fiscal, historicamente muito elevada, está bastante acima dos padrões internacionais.

Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, “falta apenas um ano para o início da cobrança deste novo imposto, o que dificulta o planejamento dos fabricantes”.

Vendas em 2025

Em 2025, esta foi a repartição das vendas:

  1. Flex: 74,4%
  2. Diesel: 10%
  3. Gasolina: 4,5%
  4. Híbrido: 4,3%
  5. Híbrido plugável: 3,7%
  6. Elétrico: 3,1% (2,5%, em 2024)

Coluna Fernando Calmon (antes Alta Roda) aborda temas de variado interesse na área automobilística: comportamento, mercado, avaliações de veículos, segredos, técnica, segurança, legislação, tecnologia e economia. A coluna semanal é reproduzida em mais de 80 sites, portais, jornais e revistas brasileiros. Começou em 1º de maio de 1999.

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